segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Não te amo

"Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.

E eu n'alma - tenho a calma,

A calma - do jazigo.

Ai! não te amo, não.


Não te amo, quero-te: o amor é vida.

E a vida - nem sentida

A trago eu já comigo.

Ai, não te amo, não!


Ai! não te amo, não; e só te quero

De um querer bruto e fero

Que o sangue me devora,

Não chega o coração.


Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.

Quem ama a aziaga estrela

Que lhe luz na má hora

Da sua perdição?


E quero-te, e não te amo, que é forçado,

De mau feitiço azagado

Este indigno furor.

Mas oh! não te amo, não.


E infame sou, porque te quero; e tanto

Que de mim tenho espanto, De ti medo e terror...

Mas amar!...Não te amo. Não."



in "Folhas Caídas"

Almeida Garret



«Há três espécies de mulheres neste mundo: a mulher que se admira, a mulher que se deseja, a mulher que se ama.»

in "Viagens da Minha Terra"


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